Esses dias estava procurando por uma leitura leve e interessante pra talvez escrever uma resenha. No final, acabei encontrando um livro de John Green, um autor que já conheço mas do qual nunca fui uma super fã.

É que os livros de John Green, em sua maioria, possuem uma certa fórmula: Começam com um adolescente frustrado e tímido que, em algum ponto de sua história, conhece uma garota que é o completo oposto, mudando sua vida pra sempre, ou pelo menos, trazendo alguma lição de vida pra ele. É uma fórmula que deu certo, pelo jeito, já que o tornou um escritor conhecidíssimo, tendo obras que até viraram filme. Mas pra mim, já tendo passado da faixa etária de seu público-alvo principal, chega a ser um pouco entediante.

Esse livro, porém, me surpreendeu, e não por ser particularmente original ou por desviar muito da fórmula: Tartarugas Até Lá Embaixo (de agora em diante TALE) é uma obra simples, mas cheia de significado, principalmente pra quem se identifica com a protagonista, Aza, e a dificuldade de lidar com transtornos mentais.

Sim, Aza Holmes, a adolescente que protagoniza esse livro, tem um transtorno de ansiedade grave desde a infância, o que ela intitula de “a espiral de pensamentos que se afunila até o infinito”. É inclusive a espiral que ilustra a capa da obra, e é uma presença constante na narrativa, que retrata de forma delicada o que é ter uma batalha acontecendo dentro do seu cérebro todos os dias. Esse é o grande diferencial de TALE. O estilo de John Green, com suas referências filosóficas, continua permeando todo o livro, mas o mais admirável é como ele trabalhou as dificuldades da protagonista em meio a trama, sem defini-la apenas por sua doença.

Falando em trama, a história basicamente lida com o desaparecimento de um bilionário chamado Russel Pickett, e os esforços de Aza e sua amiga Daisy para encontrá-lo, o que leva Holmes a se reconectar com Davis Pickett, com quem costumava acampar quando criança. Por essa sinopse e muitas outras, pode até parecer que essa é uma trama de mistério, mas não se engane! Como é de se esperar de um livro de John Green, o foco maior são os relacionamentos, principalmente o “romance” entre Aza e Davis. Romance aqui está entre aspas porque ele realmente não evolui como um romance normal – e isso é um bom sinal, pois os transtornos mentais de Aza tomam uma boa parte da narrativa, e naturalmente interferem nisso também.

Como alguém que tem meus próprios transtornos, me identifiquei muito com a mensagem que o livro passa, e por isso recomendo muito pra quem quer ler uma história tranquila e com uma visão positiva a respeito de temas sensíveis como esse. Também é uma leitura bem leve, o que pra alguns pode ser uma desvantagem, mas pra mim conta como ponto positivo!

Num geral, Tartarugas Até Lá Embaixo é um livro muito bem escrito, com personagens interessantes e uma trama simples mas envolvente! Recomendo bastante!

“Você se lembra do seu primeiro amor porque os primeiros amores mostram – provam – que você pode amar e ser amada, que nada nesse mundo é merecido exceto o amor, que o amor é ao mesmo tempo como e por que você se torna uma pessoa.”

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